O que existe no Brasil
40 dos 44 compostos deste site não têm nenhum medicamento registrado na ANVISA
Material experimental. Leia antes de usar qualquer coisa daqui.
Nada nesta página é recomendação médica, prescrição ou plano de tratamento. É uma tradução organizada de protocolos que circulam em comunidades de pesquisa e, quando existe, do que ensaios publicados testaram. As duas coisas estão marcadas de forma diferente — e não são equivalentes.
A maior parte dos compostos aqui não tem aprovação da ANVISA nem da FDA para uso humano. Vários são vendidos com rótulo de "uso exclusivo em pesquisa", o que significa que não passaram por controle de pureza, esterilidade ou dosagem para consumo por pessoas. Dose descrita por comunidade não é dose validada: é o que alguém relatou ter feito.
Converse com um profissional de saúde habilitado antes de considerar qualquer um destes compostos. Se você já usa algum e sentir algo fora do previsto, procure atendimento — não espere o próximo exame de rotina.
Resumo
Varredura do dado aberto oficial da ANVISA — 43.489 registros de medicamento, baixado em 4 de setembro de 2026 — atrás de cada composto do site, por princípio ativo e por nome de produto. Quatro existem: semaglutida, tirzepatida, ocitocina e azul de metileno. Os outros quarenta não têm bula brasileira, dose aprovada nem lote fiscalizado. O resultado agora aparece em cada página de composto, numa linha própria. O achado lateral mais inesperado: já existem genéricos e similares de semaglutida registrados no Brasil, de EMS, Germed, Sun e outras — são quinze produtos ao todo.
A pergunta desta página
As outras páginas de fonte primária perguntam quanta evidência existe e a dose está certa. Esta pergunta a mais simples das três, e a que ninguém responde: isso existe legalmente no Brasil?
A auditoria dos GLP-1 só foi possível porque havia bula. Ao terminá-la, ficou a dúvida óbvia: quantos dos compostos deste site têm bula? Fui contar. Baixei o dado aberto oficial da ANVISA — 43.489 registros de medicamento — e procurei cada composto por princípio ativo e por nome de produto.
O resultado está agora em cada página de composto, numa linha logo abaixo do aviso geral. Esta página é o consolidado e o método.
O número
Dos 44 compostos de protocolo deste site, 40 não têm nenhum medicamento registrado no Brasil.
Não é que o registro seja difícil, ou que a ANVISA seja lenta. É que quase nada disto foi sequer submetido. Não há bula brasileira, não há dose aprovada, não há lote fiscalizado e não há a quem reclamar. O que circula é importação pessoal ou manipulação.
| Grupo | Com registro ativo | Sem nenhum | Leitura |
|---|---|---|---|
| Peptídeos e compostos de protocolo | 4 | 40 | Semaglutida, tirzepatida, ocitocina e azul de metileno. Todo o resto — BPC-157, TB-500, GHK-Cu, Epitalon, Ipamorelina, MOTS-c, NAD+, Melanotan II, Selank, Semax, retatrutida, cagrilintida, survodutida — zero |
| Medicamentos do leste europeu | 1 | 17 | E o único é enganoso: a cocarboxilase aparece como componente de um polivitamínico injetável (CERNE-12), não como o produto que se importa |
| Nootrópicos | 5 | 9 | São cinco compostos, não quatro: modafinila (STAVIGILE), armodafinila (NUVIGIL), piracetam (NOOTROPIL), sulbutiamina (ARCALION) e benfotiamina — esta última com seis produtos ativos, que é onde a contagem se confundiu. Tianeptina, vinpocetina, oxiracetam, aniracetam, huperzina A, citicolina e alfa-GPC: nenhum |
| Itens de tarja (grupo de controle) | 4 | 1 | Metformina 77, finasterida 27, tadalafila 26, anastrozol 18. Só o clembuterol não tem — e é justamente o que a lista original vendia como emagrecedor |
Os quatro que existem
Vale olhar de perto, porque três deles surpreendem.
| Composto | Registros ativos | Produtos | O que isso diz |
|---|---|---|---|
| Semaglutida | 15 | OZEMPIC, WEGOVY, RYBELSUS, EXTENSIOR, POVIZTRA, SEMAVY, ORSEMA, SEEMASUN, SEMACLIQUE, YLUMÉC, OWOZY, OZIVY, ZEMPNEO e dois genéricos chamados SEMAGLUTIDA | O achado mais inesperado da varredura. Já existem genérico e similar de semaglutida registrados — EMS, Germed, Sun, Ranbaxy, Cosmed, Brainfarma. A Novo Nordisk tem cinco, não três: além dos conhecidos, EXTENSIOR e POVIZTRA |
| Tirzepatida | 2 | MOUNJARO e MOUNJARO MULTIDOSE | Marca única, sem genérico. O MULTIDOSE é apresentação, não molécula nova |
| Ocitocina | 3 | OCITOCINA, OXITON, SYNTOCINON | Existe há décadas — mas como uterotônico injetável de uso hospitalar. Não tem relação com o uso social ou comportamental que circula em protocolo |
| Azul de metileno | 4 registrados + 9 notificados | CYSTEX, CYSTEX DUO, SEPURIN, PILULAS DE LUSSEN — e nove soluções a 1% apenas notificadas | Os registrados são combinações para trato urinário, não azul de metileno isolado. As soluções a 1% entram por notificação, a via de baixo risco, que não passa pela mesma análise de um registro |
Registro e notificação não são a mesma coisa
A base tem duas situações que parecem iguais e não são. Registro passa por análise de eficácia, segurança e qualidade, e recebe um número. Notificação é a via de baixo risco: o fabricante comunica, e o produto entra sem o mesmo escrutínio — na base ele aparece sem número de registro.
Isso deu trabalho, e quase estragou a conta. Como os notificados não têm número, uma primeira versão desta varredura os agrupou todos numa linha só e subcontou o azul de metileno. Corrigi separando as duas colunas. Onde a página diz notificado, é isso que quer dizer.
Como conferir o que está aqui
O método inteiro cabe em três passos, e qualquer pessoa pode repetir:
| Passo | O que fiz |
|---|---|
| 1. Fonte | Baixei DADOS_ABERTOS_MEDICAMENTOS.csv do portal de dados abertos da ANVISA em 4 de setembro de 2026. São 43.489 linhas, com princípio ativo, nome do produto, categoria regulatória, empresa e situação do registro |
| 2. Busca | Para cada composto, procurei o termo no princípio ativo e no nome do produto, sem acento e sem diferença de caixa, contando só o que está com situação Ativo. Registro inativo aparece na base e foi descartado |
| 3. Controle | Esta é a parte que valida o resto. Antes de acreditar em qualquer zero, testei o método com coisas que obrigatoriamente existem: insulina, dipirona e azul de metileno. As três voltaram positivas. E incluí um grupo de controle inteiro — os itens de tarja —, que voltou com 4 de 5 |
O caminho errado, que vale registrar
A primeira tentativa foi pelo bulário eletrônico, que é a consulta óbvia. Ela devolveu zero para quarenta compostos, e eu quase publiquei isso.
O que salvou foi o controle: rodei insulina no bulário e também deu zero. Insulina, obviamente, é registrada no Brasil. O bulário busca por nome de produto, e insulina se vende como Lantus, Humalog, Tresiba — o nome da substância não casa com nada.
Quarenta zeros certos pelo motivo errado ainda são um resultado inválido. Foi só ao trocar para o dado aberto, que traz o princípio ativo em coluna própria, que os zeros passaram a significar alguma coisa.
O que 'sem registro' quer dizer, e o que não quer
- Quer dizer: não existe medicamento com aquele princípio ativo aprovado para venda no Brasil. Sem bula brasileira, sem posologia aprovada, sem fiscalização de lote e sem responsável legal.
- Não quer dizer que a substância seja ilegal de possuir. Importação pessoal em pequena quantidade tem regra própria, e não é o assunto desta página.
- Não quer dizer que não exista em outra categoria. O dado aberto usado aqui lista medicamentos. Suplemento alimentar, cosmético e produto para saúde têm bases separadas e ficaram de fora — é por isso que creatina e vitamina D não aparecem, embora sejam legais e comuns.
- Não quer dizer que não funcione. Registro é decisão regulatória, não veredito científico. As páginas de evidência deste site respondem a outra pergunta, e às vezes discordam desta.
O que esta varredura não fez
- Não conferi as bulas dos que têm registro, salvo os quatro GLP-1 da auditoria anterior. Saber que existe registro não é saber o que a bula diz.
- Não busquei sinônimo químico exaustivamente. Usei o nome corrente, o nome comercial conhecido e a denominação em português. Se algum composto está registrado sob um sinônimo que não testei, ele aparece aqui como zero — e seria erro meu.
- Não conferi as bases de suplemento e de produto para saúde, que são separadas.
- Não olhei situação de importação nem RDC aplicável. A página responde se existe registro, e só.
Referências
- Dados abertos da ANVISA, arquivo DADOS_ABERTOS_MEDICAMENTOS.csv, baixado em 4 de setembro de 2026 com 43.489 registros. É a fonte de toda a contagem desta página.
- Bulário eletrônico da ANVISA — a consulta que falhou no controle e foi descartada como método, mas que serve para ler a bula de quem tem registro.
- Consulta a medicamentos registrados da ANVISA, usada para conferir categoria regulatória e vencimento dos registros de semaglutida e tirzepatida.
- Auditoria dos GLP-1 contra as bulas da FDA e da ANVISA, que originou esta varredura.