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Doença renal

De zero a seis medicamentos em quatro anos e meio — e cinco deles foram aprovados sobre um número que não é o que interessa ao paciente

Aprovação parcialVerificado em fonte primária

Material experimental. Leia antes de usar qualquer coisa daqui.

Nada nesta página é recomendação médica, prescrição ou plano de tratamento. É uma tradução organizada de protocolos que circulam em comunidades de pesquisa e, quando existe, do que ensaios publicados testaram. As duas coisas estão marcadas de forma diferente — e não são equivalentes.

A maior parte dos compostos aqui não tem aprovação da ANVISA nem da FDA para uso humano. Vários são vendidos com rótulo de "uso exclusivo em pesquisa", o que significa que não passaram por controle de pureza, esterilidade ou dosagem para consumo por pessoas. Dose descrita por comunidade não é dose validada: é o que alguém relatou ter feito.

Converse com um profissional de saúde habilitado antes de considerar qualquer um destes compostos. Se você já usa algum e sentir algo fora do previsto, procure atendimento — não espere o próximo exame de rotina.

Atenção específica deste composto: Nada nesta página é aplicável por conta própria: são seis medicamentos de prescrição, vários com programa de acompanhamento obrigatório por hepatotoxicidade ou imunossupressão. E há um ponto que atravessa o site inteiro: função renal reduzida muda o risco de qualquer coisa eliminada por via renal. Esta página não traz ajuste de dose para insuficiência renal, e a ausência é deliberada — esse ajuste é decisão clínica com exame na mão.

Resumo

A nefropatia por IgA não tinha nenhum medicamento aprovado até dezembro de 2021. Hoje tem seis, todos pela FDA. Esta página entra na referência como régua: mostra o que uma base de evidência parece quando ela existe de verdade — fase 3 multicêntrica, placebo, centenas de pacientes, agência exigindo confirmação — e, ao mesmo tempo, mostra o preço disso. Cinco das seis aprovações se apoiaram em proteinúria, que é desfecho substituto; só três já converteram em aprovação plena apresentando efeito sobre a função renal, e o ensaio que vai responder isso para a atrasentana só fecha a coleta em abril de 2028. No Brasil, a varredura dos 43.491 registros do dado aberto da ANVISA encontrou dois dos seis: Vanrafia, registrado em 31/08/2026, e Fabhalta, em 27/01/2025. A busca no ClinicalTrials.gov por peptídeos desta referência em doença renal devolveu dois registros, e em nenhum dos dois o peptídeo é o tratamento.

Por que esta página existe num site de peptídeos

Porque a nefrologia acabou de fazer, em quatro anos e meio, o que este site passa o tempo inteiro cobrando: sair de nenhum medicamento aprovado para seis, com ensaio de fase 3, registro em agência e bula. É o oposto exato da situação da maior parte dos compostos catalogados aqui — e por isso serve de régua.

Mas a régua tem duas marcas, não uma. Cinco dessas seis aprovações se apoiaram, no começo, num número que não é o que interessa ao paciente: a quantidade de proteína na urina. Só depois — e não em todos os casos ainda — apareceu a prova de que o rim de fato para de piorar. A distância entre essas duas coisas é o assunto desta página, e é a mesma distância que separa "o marcador melhorou" de "a pessoa melhorou" em qualquer tabela deste site.

E há um achado que fecha o circuito. Consultei o ClinicalTrials.gov procurando ensaios que usassem os peptídeos desta referência — BPC-157, Epitalon, Thymalin, GHK-Cu, Ipamorelina, MOTS-c, Humanina — em doença renal. A busca devolveu dois registros, e nenhum dos dois testa o peptídeo como tratamento: num, Humanina e MOTS-c são medidos como marcadores num estudo de anestesia em transplante renal; no outro, Humanina é dosada no plasma como possível marcador de lesão renal aguda. Zero ensaios de intervenção. É o contraste inteiro numa linha.

De zero a seis, em quatro anos e meio

A doença é a nefropatia por IgA — glomerulopatia primária mais comum do mundo, conhecida também como doença de Berger. Até dezembro de 2021 não havia um único medicamento aprovado especificamente para ela em lugar nenhum: tratava-se com bloqueio do sistema renina-angiotensina e, na crise, corticoide sistêmico.

Hoje são seis, todos aprovados pela FDA. A coluna que importa é a última.

MedicamentoPrincípio ativoMecanismo1ª aprovação FDASobre que desfecho
Tarpeyobudesonida de liberação retardadacorticoide de ação local nas placas de Peyer, onde a IgA anômala é produzidadezembro de 2021 — aceleradaproteinúria
Filsparisparsentanaantagonista duplo: receptor de endotelina A e receptor AT1 de angiotensina II17 de fevereiro de 2023 — aceleradaproteinúria
Fabhaltaiptacopanainibidor oral do fator B — via alternativa do complementoagosto de 2024 — aceleradaproteinúria
Vanrafiaatrasentanaantagonista seletivo do receptor de endotelina A2 de abril de 2025 — aceleradaproteinúria em 36 semanas
Voyxactsibeprenlimabeanticorpo monoclonal anti-APRIL25 de novembro de 2025 — aceleradaproteinúria em 9 meses
Trutaknaatacicepteproteína de fusão que bloqueia BAFF e APRIL ao mesmo tempo — primeiro da classe7 de julho de 2026 — aceleradaproteinúria em 9 meses

O que "aprovação acelerada" quer dizer, na prática

É um caminho em que a agência aceita um desfecho substituto — um número que se acredita prever o benefício real — em troca do compromisso de provar o benefício real depois, num ensaio confirmatório. Se a confirmação não vier, o registro pode ser retirado.

Na nefropatia por IgA o substituto é a proteinúria. O desfecho real é a taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) — quanto o rim ainda filtra, e com que velocidade isso cai. Ninguém morre de proteinúria; morre-se de rim que parou.

Não é interpretação minha: está escrito na bula de cada um. Fui buscar o texto vigente de todos os seis no endpoint de rótulos da FDA, em 4 de setembro de 2026, e a divisão aparece sozinha.

ProdutoIndicação vigenteA bula declara aprovação acelerada?
Vanrafia (atrasentana)reduzir proteinúria em adultos com IgAN primária em risco de progressão rápida, geralmente com relação proteína/creatinina urinária ≥ 1,5 g/gSim. "Esta indicação é aprovada sob aprovação acelerada com base em redução de proteinúria. Não foi estabelecido se o VANRAFIA retarda o declínio da função renal"
Voyxact (sibeprenlimabe)reduzir proteinúria em adultos com IgAN primária em risco de progressãoSim. Mesma fórmula: "não foi estabelecido se retarda o declínio da função renal a longo prazo"
Trutakna (atacicepte)reduzir proteinúria em adultos com IgAN primária em risco de progressãoSim. Mesma fórmula, com a mesma ressalva
Tarpeyo (budesonida DR)reduzir a perda de função renal em adultos com IgAN primária em risco de progressãoNão. A frase de aprovação acelerada não aparece mais
Filspari (sparsentana)retardar o declínio da função renal em adultos com IgAN primária; e reduzir proteinúria na GESF sem síndrome nefrótica, de 8 anos em dianteNão, em nenhuma das duas indicações
Fabhalta (iptacopana)retardar o declínio da função renal em adultos com IgAN primária em risco de progressão (além de HPN e glomerulopatia por C3)Não.

Quem já saiu do substituto — com os números publicados

Três dos seis converteram a aprovação acelerada em plena, e os ensaios que sustentam isso estão publicados. Abaixo estão os números como saíram no artigo revisado por pares, não como saíram no comunicado da fabricante — a diferença entre as duas coisas apareceu na conferência e está registrada no fim desta página.

MedicamentoEnsaioEfeito sobre a TFGeDesfecho duro de falência renal
Fabhalta (iptacopana)APPLAUSE-IgAN, NCT04578834 — New England Journal of Medicine, 2026. 477 pacientes na análise finalQueda anualizada de −3,10 contra −6,12 mL/min/1,73 m²/ano no placebo em 24 meses (diferença 3,02; IC 95% 2,02 a 4,01; P<0,001)21,4% contra 33,5% no placebo (razão de risco 0,57; IC 95% 0,40 a 0,81; P=0,003). É o único dos três com redução significativa em desfecho duro. Infecções graves em 6,7% contra 2,1%; nenhuma morte
Tarpeyo (budesonida DR)NefIgArd, NCT03643965 — The Lancet, 2023. 364 pacientes, 9 meses de tratamento e 15 de observaçãoMédia ponderada no tempo da TFGe em 2 anos: benefício de 5,05 mL/min/1,73 m² (IC 95% 3,24 a 7,38; p<0,0001) — −2,47 com Nefecon contra −7,52 com placeboNão foi desfecho do estudo. Efeitos adversos mais frequentes: edema periférico (17% contra 4%), hipertensão (12% contra 3%), cãibras e acne
Filspari (sparsentana)PROTECT, NCT03762850 — The Lancet, 2023. 406 pacientes, comparação direta com irbesartana em 110 semanasInclinação crônica da TFGe (semanas 6 a 110): −2,7 contra −3,8 mL/min/1,73 m²/ano (diferença 1,1; IC 95% 0,1 a 2,1; p=0,037). Já a inclinação total, do primeiro dia à semana 110, deu diferença de 1,0 com IC de −0,03 a 1,94 e p=0,058 — não significativoComposto de falência renal em 9% contra 13% (risco relativo 0,7; IC 95% 0,4 a 1,2). O intervalo cruza o 1: não significativo

A leitura honesta dessa tabela

  • Só um dos três reduziu falência renal de forma significativa. O iptacopana levou o desfecho composto de 33,5% para 21,4%. Isso é o que uma conversão de desfecho substituto em desfecho real deveria sempre parecer — e não é o que os outros dois mostraram.
  • No PROTECT, o resultado depende de qual inclinação se olha. A crônica deu significativa por pouco (p=0,037); a total não deu (p=0,058). São dois recortes do mesmo dado, e a bula vigente ficou com a leitura favorável. Registro os dois.
  • Preservar TFGe não é o mesmo que evitar falência renal. O NefIgArd nem mediu isso, e no PROTECT a diferença não foi significativa. Uma inclinação melhor é um bom sinal, não uma promessa cumprida.
  • E o preço aparece. No braço do iptacopana houve o triplo de infecções graves (6,7% contra 2,1%). Nenhum desses medicamentos é de graça.

Três coisas que essa tabela ensina, e que valem para o site inteiro

  • O substituto pode se confirmar — e se confirmou três vezes. Quem trata proteinúria como número inútil erra na direção oposta. O ponto não é que o marcador não vale nada; é que ele vale como aposta até que alguém pague para verificar.
  • A verificação demora anos. A atrasentana foi aprovada em abril de 2025 e o ensaio que vai dizer se ela preserva rim só fecha a coleta em abril de 2028. São três anos de prescrição legal apoiada numa hipótese — com registro, bula e reembolso.
  • Isso tudo acontece no melhor cenário possível. Fase 3 multicêntrica, randomizada, com placebo, centenas de pacientes, agência exigindo confirmação. Se aqui a distância entre marcador e desfecho ainda leva anos para ser vencida, uma tabela de dose montada em fórum não está a uma nota de rodapé de distância da evidência — está fora da escala.

O levantamento de literatura

Consultas feitas por mim no PubMed e no ClinicalTrials.gov em 4 de setembro de 2026. A consulta está escrita para que qualquer pessoa possa repetir e conferir o número.

BaseConsultaResultado
PubMedIgA nephropathy13.624 artigos
PubMedatrasentan521 artigos
PubMediptacopan178 artigos
PubMedsparsentan133 artigos
PubMedsibeprenlimab28 artigos
PubMedatacicept AND IgA nephropathy16 artigos
ClinicalTrials.govcondição IgA nephropathy279 estudos registrados
ClinicalTrials.govfase 3, condição IgAN, com um dos cinco fármacos como intervenção10 registros
ClinicalTrials.govpeptídeos desta referência (BPC-157, Epitalon, Thymalin, GHK-Cu, Ipamorelina, MOTS-c, Humanina) em doença renal2 registros, nenhum de intervenção

O contraste, em números

Uma única doença renal tem 279 ensaios registrados. A família inteira dos bioreguladores curtos — onze compostos — tem zero. O Thymalin, o mais estudado de toda aquela escola, tem 293 artigos no PubMed e nenhum ensaio registrado; a atrasentana sozinha tem 521 artigos e um fase 3 com data marcada para responder à pergunta que importa.

Não se trata de dizer que um é bom e o outro é ruim. Trata-se de mostrar o que uma base de evidência parece quando ela existe — para que a ausência dela, nas outras páginas, tenha com o que ser comparada.

O que disso chegou ao Brasil

Varri o dado aberto de medicamentos da ANVISA — 43.491 registros, baixado em 4 de setembro de 2026 — procurando cada um dos seis princípios ativos e cada nome comercial. O resultado:

Princípio ativoProdutoRegistroEmpresaSituação
cloridrato de atrasentanaVANRAFIA100681190 · processo finalizado em 31/08/2026Novartis Biociências S.A. (56.994.502/0001-30)Ativo
cloridrato de iptacopana monoidratadoFABHALTA100681187 · finalizado em 27/01/2025Novartis Biociências S.A.Ativo
sparsentananenhum registro localizado
sibeprenlimabenenhum registro localizado
ataciceptenenhum registro localizado
budesonida de liberação retardada para IgANnenhum registro localizado sob os nomes Tarpeyo ou Kinpeygo

Duas ressalvas sobre essa tabela, que não podem ser omitidas

  • O dado aberto da ANVISA não traz a indicação aprovada. Ele diz que o FABHALTA tem registro ativo no Brasil desde janeiro de 2025 — não diz para qual doença. A iptacopana também é aprovada para hemoglobinúria paroxística noturna e para glomerulopatia por C3, e o registro brasileiro pode ser de qualquer uma delas. Afirmar que o Brasil tem iptacopana aprovada para nefropatia por IgA seria dedução, não dado. Não farei isso.
  • A ausência no dado aberto não é prova de ausência no país. Significa que não há registro de medicamento com aquele nome ou princípio ativo na base — o que é forte, mas não cobre importação individual, uso compassivo ou petição em análise.

A notícia brasileira de 31 de agosto de 2026

A ANVISA aprovou o registro da Vanrafia (cloridrato de atrasentana) para adultos com nefropatia primária por imunoglobulina A em risco de progressão, pela Resolução RE nº 3.416/2026, publicada no Diário Oficial da União. É o mais novo dos dois — e é, justamente, um dos três que ainda não provaram efeito sobre a função renal. O ensaio que vai responder isso fecha em 2028.

Registro isso sem ironia: aprovar sobre desfecho substituto é uma decisão regulatória defensável quando a doença progride e não há alternativa. O que não é defensável é a notícia chegar ao paciente sem essa metade da frase.

Fora da glomerulopatia: o que mudou na doença renal crônica comum

A maior parte da doença renal do mundo não é nefropatia por IgA — é consequência de diabetes e hipertensão. Aí o que se consolidou foi uma combinação, não uma molécula: bloqueio do sistema renina-angiotensina, inibidor de SGLT2, finerenona e, agora, agonista de GLP-1.

No Brasil, a ANVISA aprovou em 2 de fevereiro de 2026 nova indicação para a semaglutida: diabetes tipo 2 com doença renal crônica, como adjuvante à terapia padrão, com redução de progressão da insuficiência renal e de mortes por eventos cardiovasculares graves. A própria ANVISA contextualiza com o dado da Sociedade Brasileira de Nefrologia de 2024: 29% dos pacientes em diálise no país têm diabetes.

A finerenona — antagonista não esteroidal do receptor mineralocorticoide — tem registro ativo no Brasil como FIRIALTA (Bayer S.A., registro 170560129, processo finalizado em 16/01/2023), conforme o mesmo dado aberto.

A semaglutida já tem página própria nesta referência, montada a partir da bula. A diferença entre o que a bula autoriza e o que circula como protocolo está lá, não aqui.

E o que falhou — que importa tanto quanto o que deu certo

O ensaio ZEUS testou o ziltivekimabe — anticorpo anti-IL-6 — em 6.376 participantes com aterosclerose, doença renal crônica e PCR ultrassensível igual ou acima de 2 mg/L. O desenho e as características de base estão publicados no JAMA Cardiology; o desfecho primário era MACE de três pontos.

O resultado divulgado é que não houve redução de eventos cardiovasculares maiores: razão de risco de 0,99 (IC 95% 0,88 a 1,11), com mortalidade total inalterada e mais infecções graves no grupo tratado — apesar de o medicamento ter baixado a IL-6 livre e a PCR como se esperava.

⚠️ Ressalva de fonte: ao conferir, não localizei o artigo principal do ZEUS indexado no PubMed. Esses números vêm de apresentação em congresso e de comunicado da fabricante, reproduzidos por imprensa especializada — não de publicação revisada por pares. O que está publicado é o desenho do ensaio.

É o mesmo erro desta página, invertido: um marcador se moveu na direção certa e o paciente não foi junto. Vale registrar aqui porque a hipótese anti-inflamatória é exatamente o tipo de raciocínio mecanicista que sustenta metade das alegações de peptídeo — reduz inflamação, logo protege. Num ensaio de 6.300 pessoas, não protegeu.

Falência renal: o que é notícia e o que é tratamento

Em janeiro de 2026, Tim Andrews recebeu um rim humano de doador falecido depois de viver 271 dias sem diálise com um rim de porco geneticamente editado, implantado em janeiro de 2025. É a maior sobrevida sem diálise já documentada após xenotransplante renal em pessoa viva, e a primeira transição bem-sucedida de xenotransplante para transplante humano — a ideia de usar o órgão animal como ponte até o órgão humano aparecer. Publicado no The Lancet em setembro de 2026.

O relato diz também o que a manchete não carrega: houve rejeição mediada por células T no período inicial, que respondeu ao tratamento, e lesão microvascular progressiva com inflamação depois que a imunossupressão foi reduzida durante uma infecção.

⚠️ Ressalva de fonte: este é o único bloco desta página que não consegui conferir no original. O artigo do Lancet não abriu para mim, e o caso não está indexado no PubMed sob os termos que busquei. O que está acima veio da divulgação do Mass General Brigham sobre o próprio artigo, com o DOI declarado.

O programa clínico regulado é o EXPAND (NCT06878560), da United Therapeutics, com um rim suíno de dez edições gênicas, em pacientes com doença renal terminal sem perspectiva de rim humano em cinco anos. O primeiro xenotransplante do protocolo foi feito no NYU Langone em 3 de novembro de 2025.

Um caso e um ensaio que começou. Não é tratamento disponível, e ninguém deveria lê-lo como tal.

O que foi conferido nesta página, e o que mudou na conferência

Esta página foi publicada e depois auditada contra as fontes primárias. Registro o que mudou, porque um site que cobra rastreabilidade dos outros não pode corrigir em silêncio.

O que estava errado: os números do APPLAUSE-IgAN vinham do comunicado da fabricante e diziam queda de −3,0 contra −5,7 mL/min/1,73 m²/ano. O artigo do New England Journal of Medicine traz −3,10 contra −6,12. E o comunicado não carregava o achado maior, que é a redução do desfecho duro de falência renal.

O que estava vago demais: sobre o PROTECT eu havia escrito "preservação de função renal superior à da irbesartana", sem números. Com os números, aparece que uma das duas inclinações não atingiu significância e que o desfecho de falência renal também não.

O que ficou mais forte: a divisão entre os seis não depende mais de datas de comunicado. A bula vigente de cada um declara, ou não declara, a aprovação acelerada — e é essa a prova que a página usa agora.

O que continua sem verificação em fonte primária: as datas de primeira aprovação do Tarpeyo, do Filspari e do Fabhalta, que vieram de busca e não da FDA; o resultado do ZEUS; e o caso de xenotransplante. Os três estão sinalizados onde aparecem.

O que esta página não autoriza

  • Nada aqui é aplicável por conta própria. Todos os seis medicamentos são de prescrição, vários com programa de acompanhamento obrigatório por hepatotoxicidade ou imunossupressão. O Filspari é distribuído nos EUA sob programa restrito, com certificação exigida de quem prescreve e de quem dispensa.
  • Não existe peptídeo desta referência com ensaio de intervenção em doença renal. Dois registros no ClinicalTrials.gov, ambos usando o peptídeo como marcador medido, não como tratamento aplicado. Qualquer alegação de "proteção renal" por peptídeo vendido como material de pesquisa não tem, hoje, um ensaio registrado atrás dela.
  • Função renal reduzida muda o risco de tudo o mais neste site. Esta página não traz tabela de redução de dose por faixa de TFGe, e a ausência é deliberada. O motivo, com o que cada bula de fato determina e o levantamento do que não existe em lugar nenhum, está em ajuste de dose por função renal.

Referências

Esta página não veio da fonte secundária. Os números de literatura vêm do PubMed e do ClinicalTrials.gov; as datas e o tipo de cada aprovação vêm das páginas da própria FDA e dos comunicados das fabricantes, citados um a um; o registro brasileiro vem do dado aberto de medicamentos da ANVISA, baixado em 4 de setembro de 2026 (43.491 registros). Nada aqui foi lido em fonte secundária.
  1. FDA. FDA approves new treatment for primary immunoglobulin A nephropathy (Voyxact/sibeprenlimabe, aprovação acelerada de 25/11/2025)
  2. FDA. FDA Approves New Treatment to Reduce Proteinuria in Adults with Primary Immunoglobulin A Nephropathy (Trutakna/atacicepte, aprovação acelerada de 07/07/2026)
  3. FDA. Drug Trials Snapshot: VANRAFIA (atrasentana, aprovação acelerada de 02/04/2025, ensaio ALIGN)
  4. FDA. First FDA-Approved Treatment for Patients with Focal Segmental Glomerulosclerosis (Filspari, aprovação plena para GESF, 16/04/2026)
  5. Novartis. Fabhalta (iptacopana) receives FDA traditional approval as first and only complement inhibitor to significantly slow kidney function decline in primary IgAN — 17/07/2026, dados de TFGe do APPLAUSE-IgAN
  6. Travere Therapeutics. Full FDA Approval of FILSPARI (sparsentana) in IgA Nephropathy — conversão para aprovação plena, estudo PROTECT
  7. ClinicalTrials.gov. PROTECT — sparsentana em nefropatia por IgA (NCT03762850)
  8. PubMed — Barratt J, Eren N, Kashihara N, et al. Iptacopan in IgA Nephropathy — Final 24-Month Data. N Engl J Med. 2026;395(5):465-477. PMID 41910396 · doi:10.1056/NEJMoa2600743 — o APPLAUSE-IgAN publicado (NCT04578834)
  9. PubMed — Lafayette R, Kristensen J, Stone A, et al. Efficacy and safety of a targeted-release formulation of budesonide in patients with primary IgA nephropathy (NefIgArd): 2-year results from a randomised phase 3 trial. Lancet. 2023;402(10405):859-870. PMID 37591292 · doi:10.1016/S0140-6736(23)01554-4
  10. PubMed — Rovin BH, Barratt J, Heerspink HJL, et al. Efficacy and safety of sparsentan versus irbesartan in patients with IgA nephropathy (PROTECT): 2-year results from a randomised, active-controlled, phase 3 trial. Lancet. 2023;402(10417):2077-2090. PMID 37931634 · doi:10.1016/S0140-6736(23)02302-4
  11. PubMed — Ridker PM, Baeres FMM, Hveplund A, et al. Rationale, Design, and Baseline Clinical Characteristics of the Ziltivekimab Cardiovascular Outcomes Trial (ZEUS). JAMA Cardiol. 2026;11(1):89-97. PMID 41369941 · doi:10.1001/jamacardio.2025.4491 — o desenho do ensaio, com os 6.376 participantes
  12. ClinicalTrials.gov. ALIGN — atrasentana, conclusão primária prevista para 14/04/2028 (NCT04573478)
  13. ClinicalTrials.gov. VISIONARY — sibeprenlimabe (NCT05248646)
  14. ClinicalTrials.gov. ORIGIN 3 — atacicepte (NCT04716231)
  15. ANVISA. Novo medicamento para nefropatia primária por imunoglobulina A é aprovado pela Anvisa — Vanrafia, RE nº 3.416/2026, 31/08/2026
  16. ANVISA. Anvisa aprova novas indicações para semaglutida e tezepelumabe — semaglutida em diabetes tipo 2 com doença renal crônica, 02/02/2026
  17. ANVISA. Dados abertos de medicamentos registrados (DADOS_ABERTOS_MEDICAMENTOS.csv) — base usada para a varredura de registro brasileiro
  18. TCTMD. ZEUS Trial: Ziltivekimab Fails to Reduce MACE in ASCVD Patients — razão de risco 0,99 (IC 95% 0,88–1,11)
  19. Mass General Brigham / The Lancet. Xenotransplante renal como ponte para transplante humano — 271 dias sem diálise, setembro de 2026 (DOI 10.1016/S0140-6736(26)01295-X)
  20. NYU Langone Health. First Gene-Edited Pig Kidney Transplant Clinical Trial Begins — estudo EXPAND (NCT06878560), primeiro procedimento em 03/11/2025
  21. National Kidney Foundation. A New Era for IgA Nephropathy: Six New Treatments Bring New Hope

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