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Protocolos
Compostos › Verificado em fonte primária

Meldonium (mildronato)

357 artigos, 7 ensaios registrados — e uma janela de detecção de meses

Aprovação parcialVerificado em fonte primária

Material experimental. Leia antes de usar qualquer coisa daqui.

Nada nesta página é recomendação médica, prescrição ou plano de tratamento. É uma tradução organizada de protocolos que circulam em comunidades de pesquisa e, quando existe, do que ensaios publicados testaram. As duas coisas estão marcadas de forma diferente — e não são equivalentes.

A maior parte dos compostos aqui não tem aprovação da ANVISA nem da FDA para uso humano. Vários são vendidos com rótulo de "uso exclusivo em pesquisa", o que significa que não passaram por controle de pureza, esterilidade ou dosagem para consumo por pessoas. Dose descrita por comunidade não é dose validada: é o que alguém relatou ter feito.

Converse com um profissional de saúde habilitado antes de considerar qualquer um destes compostos. Se você já usa algum e sentir algo fora do previsto, procure atendimento — não espere o próximo exame de rotina.

Atenção específica deste composto: A janela de detecção urinária medida chega a 117 dias após seis dias de uso, e a vários meses após três semanas. Quem faz exame antidoping deve tratá-lo como indisponível, não como algo a suspender com antecedência.

Resumo

Cardioprotetor desenvolvido no Instituto Letão de Síntese Orgânica, em Riga, e registrado na Letônia e na Rússia. É o composto mais bem documentado de todo o bloco do leste europeu desta referência: 357 artigos, 35 ensaios clínicos e 7 registros no ClinicalTrials.gov. Inibe a biossíntese de L-carnitina — e não o contrário — deslocando o metabolismo cardíaco da gordura para a glicose. Está na lista de proibidos da WADA desde 1º de janeiro de 2016.

O que é

Meldonium — também mildronato, MET-88 ou quaterine — é o 3-(2,2,2-trimetil-hidrazínio)propionato. Foi desenvolvido no Instituto Letão de Síntese Orgânica, em Riga, e é vendido como fármaco cardioprotetor na Letônia, na Rússia e em países próximos.

É o composto mais bem documentado de todo o bloco de medicamentos do leste europeu desta referência: 357 artigos no PubMed, 35 marcados como ensaio clínico e 7 ensaios registrados no ClinicalTrials.gov — contra zero da família de bioreguladores de Khavinson.

O mecanismo é o contrário do que parece

Muita gente supõe que um composto ligado à carnitina serve para aumentar carnitina. É o oposto. Segundo a revisão de Dambrova e colegas, o meldonium inibe a γ-butirobetaína hidroxilase, enzima da biossíntese da L-carnitina, e também o transportador OCTN2. O resultado é queda da L-carnitina.

A lógica declarada do desenho é essa mesma: com menos carnitina, o tecido isquêmico deixa de acumular intermediários citotóxicos da beta-oxidação de ácidos graxos — um processo que consome muito oxigênio — e o metabolismo desloca-se para a glicose, que rende mais ATP por oxigênio gasto. Caem junto as acilcarnitinas de cadeia longa e o TMAO.

No sistema nervoso central a explicação não fecha, porque o cérebro não usa ácido graxo como combustível. A revisão de Sjakste, Gutcaits e Kalvinsh — este último o inventor do composto — propõe um segundo mecanismo, independente de carnitina, via produção de óxido nítrico no endotélio vascular.

Quanta evidência existe

Levantamento feito no PubMed e no ClinicalTrials.gov em 4 de setembro de 2026.

BaseConsultaResultado
PubMedmeldonium OR mildronate357 artigos
PubMed(meldonium OR mildronate) AND (Clinical Trial[Publication Type] OR Randomized Controlled Trial[Publication Type])35 artigos
ClinicalTrials.govintervenção contendo meldonium ou mildronate7 registros

Os ensaios registrados

Estes são os sete. Repare que dois deles testam o meldonium combinado com o Mexidol (etilmetilhidroxipiridina succinato), sob a marca BRAINMAX — os dois compostos aparecem separados no mesmo catálogo de importação que originou esta lista.

RegistroFaseCondiçãoNSituação
NCT018310112AVC isquêmico agudo — mildronato vs. cinepazida227Concluído
NCT018003572AVC isquêmico agudo — contra placebo240Situação desconhecida
NCT066489021/2Carcinoma renal metastático com fadiga associada ao tratamento60Concluído em 2024
NCT073049211Metabolismo de ômega-3 — Riga Stradins, Letônia48Concluído
NCT056898274Astenia pós-covid — BRAINMAX, com Mexidol160Concluído
NCT059396224Astenia pós-covid com fMRI — BRAINMAX, com Mexidol30Concluído
NCT07568574n/dSubstâncias de performance sob supervisão médica em atletas de elite60Recrutando por convite

O ponto que decide o uso: a janela de detecção

O meldonium entrou na lista de substâncias proibidas da WADA em 1º de janeiro de 2016, depois de um ano no Programa de Monitoramento de 2015. Nos primeiros meses de 2016, laboratórios antidoping relataram um número anormal de amostras com concentração alta.

O que importa para quem faz exame antidoping não é a proibição em si, e sim quanto tempo a molécula continua detectável. Dois estudos independentes mediram isso, e o resultado é fora do comum:

EstudoDose testadaJanela de detecçãoObservação
Görgens et al., 2017
German Sport University, Colônia
500 mg, dose única (5 voluntários)até 65 diasAcima do limite de quantificação de 10 ng/mL
Görgens et al., 20172 × 500 mg/dia por 6 dias (5 voluntários)até 117 diasExcreção bifásica, não linear e dependente da dose
Rabin et al., 2018
WADA + FMBA (Rússia)
1,0 g ou 2,0 g/dia por 3 semanas (32 voluntários)vários mesesO estado de equilíbrio no sangue leva dias para ser atingido

Leitura prática desses números

  • Seis dias de uso podem render quase quatro meses de detecção. Não existe janela de limpeza curta para esse composto — é a característica farmacocinética que definiu o caso todo.
  • A excreção é bifásica e não linear. A concentração cai rápido no começo e depois se arrasta num platô longo. Concentração baixa no exame não prova uso antigo, e foi justamente essa ambiguidade que a WADA teve de administrar.
  • Quem faz exame antidoping em qualquer esporte federado deve tratar o meldonium como indisponível, e não como algo a suspender com algumas semanas de antecedência.
  • O estudo de 2018 foi coassinado pela própria WADA — Olivier Rabin é o diretor científico da agência — em parceria com a agência federal russa. É evidência de qualidade incomum para um composto desta origem.

Doses usadas em estudos humanos publicados

Isto não é recomendação de dose: é o registro do que foi administrado em estudos publicados, com a finalidade de cada um. Fora do contexto do estudo, esses números não se transferem.

EstudoDoseDuraçãoFinalidade do estudo
Görgens et al., 2017500 mg, oral, dose única1 diaMedir a janela de detecção
Görgens et al., 20172 × 500 mg/dia, oral6 diasMedir a janela de detecção com dose repetida
Rabin et al., 20181,0 g/dia ou 2,0 g/dia, oral3 semanasFarmacocinética de longo prazo em atletas saudáveis
Nechaeva e Zheltikova, 2015não especificada no resumo12 semanasPeríodo pós-infarto precoce, somado à terapia padrão

O que o ensaio pós-infarto encontrou

Segundo o PubMed, o ensaio randomizado de Nechaeva e Zheltikova acompanhou 67 pacientes de 40 a 70 anos após infarto do miocárdio: 32 com terapia padrão para doença isquêmica e 35 com a mesma terapia mais mildronato por 12 semanas.

O grupo com mildronato apresentou menos crises de angina (p = 0,001), menos extrassístoles (p = 0,002), menos distúrbios paroxísticos de ritmo (p = 0,001) e pressão arterial média mais baixa (p = 0,001). Os autores não registraram efeitos adversos no período.

A ressalva: artigo russo, 67 participantes, 12 semanas de seguimento. É um sinal, não um desfecho duro de mortalidade ou reinfarto.

Status regulatório

  • Letônia, Rússia e países próximos: registrado como medicamento cardioprotetor, com décadas de uso.
  • Brasil: sem registro na ANVISA.
  • Estados Unidos e União Europeia: sem aprovação.
  • WADA: proibido desde 1º de janeiro de 2016, em competição e fora dela.

O que esta página não responde

Não localizei, em fonte primária acessível, uma posologia consolidada em bula que eu pudesse reproduzir com segurança. A bula letã ou russa do Mildronate é a referência válida — e é dela, não daqui, que uma dose deve sair.

Também não avaliei interações. Um composto que altera o metabolismo da carnitina e desloca o substrato energético do coração não é neutro em quem já usa fármaco cardiovascular. Isso é conversa com cardiologista, não com site.

Referências

Esta página não veio da fonte secundária. Cada número foi levantado por mim nas fontes listadas abaixo, em 4 de setembro de 2026, e a consulta usada está declarada acima.
  1. Dambrova M et al. Pharmacological effects of meldonium: Biochemical mechanisms and biomarkers of cardiometabolic activity. Pharmacol Res. 2016;113(Pt B):771-780. doi:10.1016/j.phrs.2016.01.019
  2. Sjakste N, Gutcaits A, Kalvinsh I. Mildronate: an antiischemic drug for neurological indications. CNS Drug Rev. 2005;11(2):151-68. doi:10.1111/j.1527-3458.2005.tb00267.x
  3. Gorgens C et al. The atypical excretion profile of meldonium: comparison of urinary detection windows after single- and multiple-dose application in healthy volunteers. J Pharm Biomed Anal. 2017;138:175-179. doi:10.1016/j.jpba.2017.02.011
  4. Rabin O et al. Meldonium long-term excretion period and pharmacokinetics in blood and urine of healthy athlete volunteers. Drug Test Anal. 2018;11(4):554-566. doi:10.1002/dta.2521
  5. Nechaeva GI, Zheltikova EN. [Effects of Meldonium in Early Postmyocardial Infarction Period]. Kardiologiia. 2015;55(8):35-42. PMID 26761970
  6. Registros consultados no ClinicalTrials.gov: NCT01831011, NCT01800357, NCT06648902, NCT07304921, NCT05689827, NCT05939622, NCT07568574

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