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Protocolos
Compostos › Verificado em fonte primária

SARMs

Metade dos produtos vendidos como SARM não contém o SARM do rótulo — e quatro dos mais populares nunca tiveram um ensaio clínico

Não aprovadoVerificado em fonte primária

Material experimental. Leia antes de usar qualquer coisa daqui.

Nada nesta página é recomendação médica, prescrição ou plano de tratamento. É uma tradução organizada de protocolos que circulam em comunidades de pesquisa e, quando existe, do que ensaios publicados testaram. As duas coisas estão marcadas de forma diferente — e não são equivalentes.

A maior parte dos compostos aqui não tem aprovação da ANVISA nem da FDA para uso humano. Vários são vendidos com rótulo de "uso exclusivo em pesquisa", o que significa que não passaram por controle de pureza, esterilidade ou dosagem para consumo por pessoas. Dose descrita por comunidade não é dose validada: é o que alguém relatou ter feito.

Converse com um profissional de saúde habilitado antes de considerar qualquer um destes compostos. Se você já usa algum e sentir algo fora do previsto, procure atendimento — não espere o próximo exame de rotina.

Atenção específica deste composto: Antes de discutir molécula, há um problema de mercadoria. Na análise química de 44 produtos publicada no JAMA, apenas 52% continham algum SARM; 39% continham outro fármaco não aprovado — ibutamoren, GW501516 ou SR9009; 9% não tinham ativo nenhum; e a dose batia com o rótulo em 41%. Uma réplica italiana mediu teor entre 30% e 90% do declarado. Qualquer raciocínio sobre o perfil de um SARM específico pressupõe que o frasco contenha aquele SARM, e na metade das vezes não contém.

Resumo

Levantamento dos 16 compostos que circulam como SARM, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. O ranking de evidência é quase o inverso do ranking de vendas: o enobosarm tem 17 ensaios registrados e dois de fase 3; o RAD140, o mais discutido em fórum de treino, tem um único ensaio em toda a história, com 20 pacientes; andarina, YK-11, S-23, ACP-105, LGD-3303 e RAD-150 têm zero. Os dois ensaios de fase 3 do campo, com 651 pacientes somados, nunca foram publicados em revista — os resultados existem apenas como tabela postada no ClinicalTrials.gov, e um deles levou sete anos e meio para ser postado. Uma revisão guarda-chuva sobre drogas de desempenho em atletas saudáveis procurou estudos de SARM e não achou nenhum elegível. Do outro lado, o dano tem número: 23 casos de lesão hepática numa série australiana, 17 internações e um transplante. No Brasil, a RE 791/2021 da ANVISA proíbe venda, importação, propaganda, uso e também manipulação.

A pergunta desta página

SARM não é peptídeo. É molécula pequena, oral, que age no receptor androgênico — a mesma via da testosterona, com a promessa de agir no músculo e no osso sem agir na próstata e no couro cabeludo. Entra nesta referência porque circula nos mesmos lugares, é comprada nos mesmos sites e é empilhada nos mesmos ciclos que o resto do material daqui.

A pergunta que esta página responde é a mesma das outras páginas de fonte primária: quanta evidência existe em gente. Mas com um agravante que os peptídeos não têm — no caso dos SARMs, existe medição do que vem dentro do frasco, e ela muda a conversa inteira.

Por isso a página começa pelo frasco, e só depois fala de molécula.

Comece pelo frasco, não pela molécula

Duas análises químicas independentes compraram produtos vendidos como SARM e mediram o que havia dentro. Os números abaixo são delas, não meus.

AchadoJAMA, 2017 — 44 produtos
comprados nos EUA pela internet
Sex Med, 2024 — 13 produtos
comprados na Itália pela internet
Continha o SARM declarado23 de 44 (52%)cerca de 70%
Continha outro SARM, não o do rótulo23%
Continha outro fármaco não aprovado17 de 44 (39%) — ibutamoren (MK-677), GW501516 ou SR900930% — tamoxifeno, clomifeno, testosterona, epimetandienona, tadalafila
Não continha ativo nenhum4 de 44 (9%)1 amostra
Trazia substância fora do rótulo11 de 44 (25%)mais de um ativo em >60%
Dose batia com o rótulo18 de 44 (41%)teor entre 30% e 90% do declarado

Por que isso vem antes de tudo

  • Discutir o perfil de um SARM específico pressupõe que o frasco contenha aquele SARM. Na maior análise publicada, isso valeu para pouco mais da metade das amostras.
  • Quem recebeu MK-677, GW501516 ou SR9009 no lugar não tomou sequer um SARM — são secretagogo de GH, agonista de PPARδ e agonista de REV-ERB. Mecanismo diferente, literatura diferente, risco diferente. A bula mental que a pessoa leu não descreve o que ela tomou.
  • O problema atinge quem nem procurou SARM. Num levantamento com 170 adolescentes de academia em Atenas, 9% dos usuários de suplemento consumiam produtos contaminados com esteroides anabolizantes, pró-hormônios, SARMs e inibidores de aromatase não declarados no rótulo. 63% compraram pela internet, e nenhum havia falado com médico ou nutricionista.
  • Tudo o que vem abaixo descreve moléculas. A tabela acima descreve mercadoria. As duas coisas não são a mesma, e a segunda é a que chega em casa.

Quanta evidência existe, composto a composto

A coluna Consulta traz o termo exato que produziu o número ao lado. Copie no PubMed e o resultado tem que ser o mesmo — se não for, o número aqui está velho, e o que vale é o que a base devolver a você.

No ClinicalTrials.gov a busca foi por intervenção, com os mesmos sinônimos — inclusive VK5211 para o ligandrol, sob o qual o ensaio de fratura de quadril está registrado. Sem esse sinônimo a busca devolve zero, e a página afirmaria que não existe ensaio nenhum do composto.

Levantamento feito no PubMed e no ClinicalTrials.gov em 4 de setembro de 2026. A coluna que decide não é a de artigos: é a de ensaio registrado em humano.

CompostoConsulta no PubMedArtigos no PubMedEnsaios no ClinicalTrials.govFase máxima atingida
Enobosarme
ostarina · MK-2866 · GTx-024
enobosarm OR ostarine OR "MK-2866"11217Fase 3 — dois ensaios, concluídos em 2013
LGD-4033
ligandrol · VK5211
"LGD-4033" OR ligandrol OR VK5211501Fase 2
GSK2881078GSK2881078153Fase 2a
MK-0773
Merck
"MK-0773"83Fase 2a
OPK-88004
OPKO
"OPK-88004"31Fase 2
PF-06260414
Pfizer
"PF-06260414"62Fase 1
RAD-140
testolona · vosilasarm
"RAD-140" OR RAD140 OR testolone OR vosilasarm431
Andarina
GTx-007
andarine OR "GTx-007"430
YK-11"YK-11"70
S-23"S-23" AND "androgen receptor"140
ACP-105 · LGD-3303 · RAD-150
somados
"ACP-105" OR "LGD-3303" OR "RAD-150"220

O que essa tabela quer dizer

  • O ranking de evidência é quase o inverso do ranking de vendas. O composto com fase 3 (enobosarm) não é o que se vende; o mais vendido e mais discutido em fórum de treino, o RAD140, tem a base humana inteira em 20 pacientes oncológicas, uma vez, em 2020.
  • Quatro compostos populares têm zero ensaio clínico registrado: andarina, YK-11, S-23 e o bloco ACP-105 / LGD-3303 / RAD-150. A literatura deles é roedor, cultura de célula e química analítica antidoping — não estudo em pessoa.
  • A revisão sistemática que cobre o campo lista seis SARMs — LGD-4033, PF-06260414, GSK2881078, GTx-024, MK-0773 e OPK-88004 — reunindo 9 ensaios randomizados e 970 pacientes, idade média de 57,1 anos e seguimento médio de 80 dias. Note quem não está nessa lista: RAD140, andarina, YK-11 e S-23.
  • A população estudada é doente e é velha. Os desfechos são caquexia oncológica, sarcopenia, fratura de quadril, DPOC, hiperplasia prostática e câncer de mama. Ninguém estudou o homem de trinta anos que treina.
  • Nenhum SARM foi aprovado por nenhuma agência, em lugar nenhum, para nenhuma indicação.

O único ensaio humano do RAD140, por dentro

Vale abrir esse ensaio, porque ele é a base humana inteira do composto mais vendido do mercado paralelo — e porque o que há dentro dele quase nunca é citado.

É o NCT03088527, primeiro em humano, publicado por LoRusso e colegas em 2022. Desenho de escalonamento de dose 3+3 em mulheres na pós-menopausa com câncer de mama metastático RE+/HER2−, fortemente pré-tratadas. Os níveis de dose foram 50 mg (n=6), 100 mg (n=13) e 150 mg (n=3), uma vez ao dia.

Guarde esses três números. Quando qualquer fonte cita uma “faixa de dose em ensaio clínico” para o RAD140, é daqui que ela vem — não existe outra. E é faixa de oncologia, calibrada contra câncer metastático, não contra hipertrofia.

EventoFrequência
AST elevada59,1%
ALT elevada45,5%
Bilirrubina total elevada27,3%
Vômito · desidratação · perda de apetite · perda de peso27,3% cada
Eventos de grau 3 ou 416 de 22 (72,7%) — inclui elevação de AST/ALT e hipofosfatemia, 22,7% cada
Eventos relacionados ao tratamento17 de 22 (77,3%); 7 de grau 3; nenhum de grau 4

Como ler esse ensaio

  • A única dose clínica que existe para o RAD140 é dose de oncologia. Isso resolve uma estranheza que aparece na literatura de hepatotoxicidade: a faixa “de ensaio” do RAD140 (50 a 150 mg) é maior que a faixa relatada nos casos de lesão hepática (5 a 30 mg), ao contrário do que acontece com ligandrol e enobosarm. Não é anomalia — é que, nos outros dois, existe ensaio em dose baixa para comparar. No RAD140 não existe. A tabela que põe as duas faixas lado a lado está em ajuste de dose por função hepática.
  • O fígado já aparecia ali. Sob supervisão médica, por pelo menos 28 dias, quase metade das pacientes teve ALT elevada e quase três em cada cinco tiveram AST elevada. Não é achado novo do mercado paralelo: é o que o primeiro contato do composto com o corpo humano mostrou.
  • “Perfil de segurança aceitável” é a conclusão dos autores, e está correta no contexto delas. Aceitável comparado a câncer de mama metastático em paciente sem outra linha de tratamento. Transportar essa frase para quem quer ganhar músculo troca o denominador inteiro do juízo.
  • ⚠️ Uma divergência entre as fontes, que não resolvi. O ClinicalTrials.gov declara 20 participantes; o artigo publicado diz 22 inscritas, sendo 21 com receptor androgênico positivo. As duas fontes são legítimas e não batem. As frequências desta tabela são as do artigo, sobre 22.

Os dois únicos ensaios de fase 3 do campo

Os ensaios POWER 1 e POWER 2 testaram enobosarm contra placebo em perda muscular por câncer de pulmão, com 651 pacientes somados. São o topo da pirâmide de evidência de todos os SARMs.

E não existe artigo sobre eles. Nenhuma publicação de resultados foi indexada no PubMed nem consta vinculada aos próprios registros — a única referência ligada aos dois é o artigo de desenho. Os números abaixo foram extraídos da API v2 do ClinicalTrials.gov em 4 de setembro de 2026, que é o único lugar onde eles existem.

Os dois ensaios tinham desfechos coprimários, medidos no dia 84 como percentual de respondedores: ganho de ≥10% na potência de subida de escada para função física, e variação ≥0% (isto é, não perder) para massa magra.

EnsaioDesfecho coprimárioEnobosarmPlacebo
POWER 1
NCT01355484 · platina + taxano
160 vs. 161
Função física29,4% (IC95% 22,4–37,1)24,2% (IC95% 17,8–31,6)
Massa magra41,9% (IC95% 34,1–49,9)30,4% (IC95% 23,4–38,2)
POWER 2
NCT01355497 · platina + não-taxano
159 vs. 161
Função física19,5% (IC95% 13,6–26,5)24,8% (IC95% 18,4–32,3)
Massa magra46,5% (IC95% 38,6–54,6)37,9% (IC95% 30,4–45,9)
Eventos adversos gravesPOWER 156 de 16060 de 161
POWER 2109 de 165113 de 165

Como ler esses números sem forçar a barra

  • O registro não posta nenhuma análise estatística, nenhum valor de p e nenhum desfecho secundário — só as proporções e seus intervalos. Por isso esta página não afirma significância em direção alguma.
  • Na função física o efeito não aparece. No POWER 1 os intervalos se sobrepõem em quase toda a extensão. No POWER 2 a estimativa da droga fica abaixo da do placebo — 19,5% contra 24,8%.
  • Na massa magra a droga fica à frente nos dois, com diferenças de 11,5 e 8,6 pontos percentuais — mas os intervalos ainda se sobrepõem em ambos.
  • Como os desfechos eram coprimários, uma função física que não se separa do placebo já basta para o programa não entregar o que precisava. O que veio depois é coerente com isso: nenhum pedido de aprovação para caquexia, e o enobosarm migrou para câncer de mama e, agora, para preservação de massa magra em quem usa GLP-1.
  • Sem sinal de segurança contra a droga: eventos adversos graves praticamente idênticos entre os braços nos dois ensaios.
  • Os resultados do POWER 2 só foram postados em 09/11/2020 — sete anos e meio depois da conclusão primária, em maio de 2013. Os do POWER 1 saíram em 03/03/2016.
  • Ambos os registros declaram acordo restritivo de publicação: o patrocinador recebe cópia antecipada de qualquer comunicação de resultados com 60 dias de antecedência, tem 60 dias para pedir alterações e pode pedir mais 60 de adiamento; o investigador não apresenta dados antes da publicação pelo patrocinador ou de 18 meses após o fim do estudo.

Uma nota sobre os números destes dois ensaios

Os tamanhos de grupo citados acima para o POWER 1 e o POWER 2 são os da população avaliável — quem chegou ao fim com dado de eficácia. O registro no ClinicalTrials.gov traz os números de randomização, que são maiores: 321 no POWER 1 e 330 no POWER 2, este com 165 em cada braço.

Registro a diferença porque ela é fonte comum de confusão ao comparar uma publicação com o registro do mesmo ensaio — e porque foi conferir uma coisa contra a outra que revelou a distinção aqui.

Os números de eficácia que existem, e o tamanho deles

Fora dos POWER, três ensaios publicados sustentam quase tudo o que se afirma sobre SARM. Vale ver o que cada um mediu, em quem, e por quanto tempo.

EnsaioCompostoQuemO que achouRessalva
Basaria 2013
J Gerontol A · duplo-cego, controlado por placebo
LGD-403376 homens saudáveis de 21 a 50 anos, 21 dias, 0,1 / 0,3 / 1,0 mgMassa magra subiu de forma dose-dependente; gordura não mudou. Bem tolerado, sem evento adverso grave. PSA, hemoglobina, AST, ALT e intervalo QT sem alteraçãoSupressão dose-dependente de testosterona total, SHBG, HDL e triglicerídeos. FSH e testosterona livre caíram só na dose de 1,0 mg. Tudo voltou ao basal após a suspensão. Vinte e um dias não dizem nada sobre um ciclo de doze semanas
Dobs 2013
Lancet Oncol · fase 2, duplo-cego
Enobosarm159 pacientes com câncer e perda de peso, 113 diasMassa magra total vs. basal: +1,5 kg na dose de 1 mg (p=0,0012) e +1,0 kg na de 3 mg (p=0,046). Placebo: +0,02 kg, não significativoO desfecho é variação contra o próprio basal, não contra o placebo. E repare na não-monotonicidade: a dose maior rendeu menos que a menor
Palmieri 2024
Lancet Oncol · fase 2, aberto, 35 centros, 9 países
Enobosarm136 randomizadas / 102 avaliáveis, câncer de mama avançado RE+/HER2−/RA+Benefício clínico em 24 semanas: 32% na dose de 9 mg e 29% na de 18 mgEstudo aberto, sem braço de placebo. Eventos adversos grau 3–4 relacionados em 8% e 16% — o mais frequente foi elevação de transaminases. As duas fases 3 seguintes foram encerradas precocemente, com 52 e 5 pacientes recrutados

A revisão que procurou efeito em gente saudável e não achou

É o achado mais desconfortável desta página, e não é meu: é de uma revisão guarda-chuva de revisões sistemáticas e metanálises sobre sete intervenções farmacológicas de melhora de desempenho em atletas saudáveis.

Os SARMs estavam no protocolo de busca. O resultado: nenhum estudo sobre SARMs atendeu aos critérios de inclusão. Não houve o que revisar.

Na mesma revisão, a creatina é a única intervenção com benefício de desempenho considerado seguro nas doses controladas — e ela custa uma fração, é legal e tem bula.

Ou seja: para a pessoa saudável que treina, que é quem compra, o nível de evidência agregada de SARM é zero revisão sistemática elegível. Enquanto isso, o dano já tem série de casos, hospitalização e um transplante — a seção seguinte.

Segurança: o que está documentado

Ao contrário da eficácia, o dano tem número, tem série de casos e tem desfecho duro.

LevantamentoO que encontrou
Revisão sistemática de segurança
Vignali 2023 · 33 estudos, 2.136 pacientes, 1.447 expostos
Nos relatos de caso: 15 de lesão hepática induzida por fármaco (DILI), 1 ruptura de tendão de Aquiles, 1 rabdomiólise, 1 elevação reversível de enzimas. Nos ensaios clínicos, elevação de ALT em média 7,1% dos expostos, e 2 casos de rabdomiólise com GSK2881078. Conclusão dos autores: o uso recreativo deve ser fortemente desencorajado
Revisão sistemática do abuso por atletas
Vasireddi 2025 · 72 artigos, 2003 a 2022
Prevalência estimada de 1% a 3%. Treze relatos descrevendo 15 casos: todos homens, mediana de 32 anos, todos por via oral, curso médio de 8 semanas. Cinco pacientes negaram explicitamente uso de droga ilícita — acreditavam estar dentro da lei. Doses relatadas muito acima das estudadas clinicamente
Série de lesão hepática
Nash 2024 · 9 hospitais terciários na Austrália, 2017–2023
23 casos envolvendo 40 fármacos, 14 deles SARMs. 22 de 23 homens, mediana de 30 anos. Latência mediana de 58 dias. 17 de 23 internados. Tempo mediano até a bioquímica normalizar: 175 dias. Um transplante hepático. Nenhuma morte
Padrão da lesão
Mohideen 2023 · revisão dedicada
Colestase branda: icterícia de instalação insidiosa, hiperbilirrubinemia marcada e elevação apenas leve de enzimas, com pouca lesão de ducto, inflamação ou necrose. Não há tratamento estabelecido — a melhora costuma vir da suspensão

No Brasil, isto é proibido — e a proibição inclui a manipulação

Esta é a diferença prática entre a página de SARM e quase todas as outras deste site. Aqui não existe zona cinzenta de importação pessoal ou de fórmula manipulada: existe uma resolução que fecha as duas portas.

JurisdiçãoSituaçãoDetalhe verificado
Brasil (ANVISA)ProibidoA Resolução (RE) 791/2021, publicada em 23/02/2021, proibiu a comercialização, a distribuição, a fabricação, a importação, a manipulação, a propaganda e o uso de produtos com SARM, e determinou apreensão e inutilização. Aplica-se a produto industrializado e manipulado, importado e nacional, em meio físico e remoto. A própria ANVISA registra que não há medicamento com SARM registrado na Agência
Antidopagem (WADA / ABCD)Proibido em todo tempoLista Proibida 2026, em vigor desde 01/01/2026, seção S1.2 — Outros Agentes Anabolizantes. O texto nomeia andarina, enobosarm (ostarina), LGD-4033 (ligandrol), RAD140, S-23 e YK-11. Categoria S1 vale dentro e fora de competição
Estados Unidos (FDA)Não aprovado; ilegal como suplementoA FDA registra que SARMs não podem ser legalmente comercializados nos EUA nem como suplemento alimentar nem como medicamento. Riscos que a Agência lista: infarto e AVC, psicose e alucinações, distúrbio de sono, disfunção sexual, lesão hepática e falência hepática aguda, infertilidade, aborto espontâneo e atrofia testicular

Os três que são vendidos como SARM e não são

Os três apareceram como substituto ou adulterante nos produtos analisados pelo JAMA. Nenhum age no receptor androgênico.

CompostoO que é de fatoLiteratura no PubMed
MK-677 · ibutamorenSecretagogo de GH — agonista do receptor de grelina. Não toca no receptor androgênicoLiteratura clínica própria, antiga, de outro campo
GW501516 · cardarineAgonista de PPARδ372 artigos
SR9009 · stenabolicAgonista de REV-ERB1 artigo que traz os dois termos

O que esta página não fez

  • Não traz dose, meia-vida, protocolo de ciclo nem esquema de reconstituição, por decisão. É a segunda página do site sem posologia, depois da de itens de tarja. Descrever um esquema de uso para substância cuja manipulação a ANVISA proibiu seria escrever o que não deve ser seguido.
  • Não conferi o inteiro teor da RE 791/2021. O número, a data e o alcance da medida vieram da página oficial da ANVISA; a lista nominal de produtos apreendidos, que circula em fontes secundárias, não foi conferida no texto da resolução.
  • Não há teste formal de hipótese nos POWER. O registro não posta valor de p. Toda a leitura desta página se limita a comparar estimativas e intervalos.
  • Não busquei os desfechos secundários dos POWER porque eles não existem publicamente: o desenho previa durabilidade no dia 147 e análise combinada de sobrevida, e nada disso foi postado.
  • Não conferi a interrupção do desenvolvimento do GW501516 por carcinogenicidade em roedores, que é amplamente citada no campo. Não busquei a fonte primária, e por isso não é afirmação desta página.
  • Não há dado brasileiro de prevalência de uso. A estimativa de 1% a 3% é de atletas, em literatura internacional.

O que sobra depois de tudo

  • O topo da pirâmide de evidência deste campo nunca passou por revisão por pares. Os dois únicos ensaios de fase 3 de qualquer SARM, 651 pacientes somados, existem só como tabela em registro público — sem artigo, sem valor de p, sem desfecho secundário, e um deles com sete anos e meio de atraso na postagem. Quando se diz que falta evidência sobre SARM, não é só ausência de estudo: é evidência produzida e não publicada.
  • Onde há número de eficácia, ele é modesto e estranho — +1,5 kg de massa magra em 113 dias no melhor caso, com a dose maior rendendo menos que a menor.
  • A ausência de evidência em pessoa saudável é formal, não impressionista. Uma revisão guarda-chuva procurou e não achou um único estudo elegível.
  • O risco, ao contrário, tem número: 15 casos de DILI numa revisão, 23 numa série australiana com 17 internações e um transplante, 58 dias de latência mediana, 175 dias até o fígado normalizar.
  • E o risco maior nem é farmacológico. Metade dos produtos não contém o que diz conter. Antes de escolher a molécula, há um problema de mercadoria a resolver — e ele não se resolve lendo sobre a molécula.

Referências

Esta página não veio da fonte secundária. Cada número foi levantado por mim nas fontes listadas abaixo, em 4 de setembro de 2026, e a consulta usada está declarada acima.
  1. Van Wagoner RM et al., 2017 — análise química de 44 produtos vendidos pela internet como SARM. JAMA 318(20):2004-2010. É a fonte da tabela que abre esta página.
  2. Gaudiano MC et al., 2024 — produtos ilegais com SARM comprados na Itália: análise por espectrometria de massas e RMN quantitativa. Sex Med 12(2):qfae018.
  3. Tsarouhas K et al., 2018 — suplementos contaminados com substâncias dopantes em atletas adolescentes de Atenas. Food Chem Toxicol 115:447-450.
  4. Wen J et al., 2024 — revisão sistemática dos SARMs sobre desempenho físico: 9 ensaios randomizados, 970 pacientes, seis compostos. Clin Endocrinol 102(1):3-27.
  5. Vignali JD et al., 2023 — revisão sistemática de segurança dos SARMs em adultos saudáveis, com implicações para uso recreativo. J Xenobiot 13(2):218-236.
  6. Vasireddi N et al., 2025 — revisão sistemática do abuso de SARMs por atletas. Am J Sports Med 53(4):999-1009.
  7. Warrier AA et al., 2023 — revisão guarda-chuva de revisões sistemáticas sobre drogas de melhora de desempenho em atletas saudáveis. Nenhum estudo de SARM atendeu aos critérios de inclusão. Sports Health 16(5):695-705.
  8. Nash E et al., 2024 — lesão hepática por SARMs, esteroides anabolizantes e suplementos de musculação na Austrália: 23 casos, um transplante. Aliment Pharmacol Ther 59(8):953-961.
  9. Mohideen H et al., 2023 — SARMs como toxina hepática emergente: padrão colestático da lesão. J Clin Transl Hepatol 11(1):188-196.
  10. Basaria S et al., 2013 — segurança, farmacocinética e efeitos do LGD-4033 em homens jovens saudáveis, 21 dias. J Gerontol A Biol Sci Med Sci 68(1):87-95.
  11. Dobs AS et al., 2013 — efeito do enobosarm sobre perda muscular e função física em pacientes com câncer: ensaio de fase 2. Lancet Oncol 14(4):335-345.
  12. Palmieri C et al., 2024 — atividade e segurança do enobosarm em câncer de mama avançado RA+/RE+/HER2−: fase 2. Lancet Oncol 25(3):317-325.
  13. LoRusso P et al., 2022 — estudo de fase 1, primeiro em humano, do RAD140 em cancer de mama metastatico RE+/HER2-. Fonte dos niveis de dose e das frequencias de eventos adversos desta pagina. Clin Breast Cancer 22(1):67-77.
  14. Crawford J et al., 2016 — desenho e justificativa do programa de fase 3 do enobosarm (ensaios POWER). É a única publicação vinculada aos dois registros. Curr Oncol Rep 18(6):37.
  15. ClinicalTrials.gov, registro NCT01355484 (POWER 1) — resultados dos desfechos coprimários, extraídos da API v2 em 4 de setembro de 2026.
  16. ClinicalTrials.gov, registro NCT01355497 (POWER 2) — resultados dos desfechos coprimários, postados em 9 de novembro de 2020.
  17. ANVISA — 'Medida proíbe comercialização de produtos que contenham SARM', notícia oficial que descreve a Resolução (RE) 791/2021, publicada em 23 de fevereiro de 2021.
  18. Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem — Código Mundial Antidopagem, Lista Proibida 2026, em vigor desde 1º de janeiro de 2026. Seção S1.2, página 6.
  19. FDA — 'FDA Warns of Use of Selective Androgen Receptor Modulators (SARMs) Among Teens, Young Adults', página datada de 26 de abril de 2023.

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